A crescente busca por uma alimentação rica em proteínas tem transformado a oferta de produtos nos supermercados, tornando itens como iogurtes, bebidas e barras com a etiqueta “protein” cada vez mais comuns. No entanto, a presença de proteína adicionada não garante que esses produtos sejam essenciais ou saudáveis.
A nutricionista Maria Eduarda Doria, da Hapvida, ressalta que, embora a proteína seja um nutriente importante, os produtos rotulados como “protein” não são necessariamente indispensáveis. Ela destaca que esses itens podem ser úteis pela praticidade, especialmente para quem tem dificuldade em manter uma dieta balanceada ou atingir a quantidade diária recomendada de proteína. “Um iogurte ou suplemento proteico pode ser uma boa estratégia, mas não deve ser visto como algo imprescindível”, afirma.
Na hora de escolher um produto, a quantidade de proteína não deve ser o único critério. Maria Eduarda orienta os consumidores a analisarem também a presença de açúcares, gorduras saturadas, sódio, fibras e valor energético, além de considerar o tamanho da porção e a lista de ingredientes. A prioridade deve ser sempre para alimentos in natura ou minimamente processados, evitando que produtos ultraprocessados substituam opções mais saudáveis e tradicionais.
De acordo com a nutricionista, a maioria das pessoas saudáveis consegue suprir suas necessidades de proteína através de uma dieta variada, sem a necessidade de recorrer a produtos industrializados. Alimentos como ovos, laticínios, carnes, peixes, leguminosas e grãos são fontes naturais e eficazes de proteína.
É importante lembrar que as necessidades de proteína variam de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como idade, peso e condições de saúde. Para os idosos, por exemplo, a ingestão recomendada pode chegar a 1,2 gramas por quilo de peso por dia, dependendo de suas condições clínicas e nível de atividade. Já para adultos, a referência da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) é de cerca de 0,83 grama por quilo de peso corporal. Para os que praticam atividades físicas, a International Society of Sports Nutrition sugere um consumo entre 1,4 a 2,0 gramas por quilo.
Excessos e cuidados
A nutricionista alerta sobre o perigo de generalizações a respeito do consumo elevado de proteínas. “Dizer que ‘proteína em excesso destrói os rins’ não é uma afirmação precisa segundo a literatura científica”, ressalta. Em pessoas saudáveis, dietas com alto teor de proteína podem ser seguras, desde que não substituam outros nutrientes essenciais. No entanto, indivíduos com doenças renais precisam de avaliações personalizadas, pois a quantidade de proteína deve ser ajustada conforme a gravidade da condição e a necessidade de tratamento.
Mitos a serem desmistificados
Maria Eduarda também aponta alguns mitos comuns sobre o consumo de proteínas. “Não é verdade que ‘quanto mais proteína, mais músculo’. O desenvolvimento muscular depende de diversos fatores, como treinamento de força, ingestão calórica adequada, recuperação e sono. Além disso, não é necessário recorrer ao whey protein para ganhar massa muscular, as necessidades podem ser atendidas com alimentos comuns”, explica.
Outro ponto importante é que a proteína não causa ganho de gordura apenas por ser um macronutriente. O excesso calórico total ao longo do tempo é o que realmente contribui para o ganho de peso. Além disso, carboidratos também são essenciais para o desenvolvimento muscular, especialmente para quem se exercita regularmente.
Atenção aos sintomas
Não há um conjunto específico de sintomas que indique o excesso de proteína, segundo a nutricionista. No entanto, uma dieta excessivamente rica em proteínas e pobre em outros nutrientes pode levar a desconfortos gastrointestinais, como sensação de estômago pesado e constipação, especialmente quando a ingestão de fibras é baixa. É importante ficar alerta quando produtos proteicos começam a substituir frutas, vegetais e outros alimentos ricos em nutrientes.
Portanto, mais do que focar na contagem de gramas de proteína, o ideal é observar a alimentação de forma holística. Os suplementos devem ser vistos como ferramentas e não como requisitos para uma dieta saudável, conclui Maria Eduarda.







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